Eles desceram do ônibus correndo. Estavam atrasados. O ensaio geral começaria ao meio-dia em ponto. A turma inteira já devia estar lá. Tinham apenas uma hora para ensaiar, e era o único ensaio que fariam antes da apresentação, logo mais a noite. A pontualidade era essencial.Os cinco correndo, atravessando a pista; e ainda tinham uns dois quilômetros pela frente. Vinham do centro da cidade, onde tinham ido comprar os últimos detalhes da apresentação e provar os ternos alugados para a cena final. Nem haviam almoçado. Estavam no centro tão desapercebidos, vendo, observando, comprando, que quando se deram conta, já eram onze e meia e tinham de pegar o ônibus.Os cinco, num pique que dava até gosto de ver, na ligeira descida que havia no início da rua. Até aí, tudo bem. O cansaço foi surgindo aos poucos, e veio de vez quando começou a subida. Nem era íngreme o bastante para chamarmos de ladeira, era apenas uma subidinha. Mas era extensa, muito extensa. A menina não agüentou correr muito; por isso dois dos meninos ficaram um pouco para trás para fazer companhia a ela, pois a longa rua era conhecida por ser suscetível a assaltos. Os outros dois foram na frente, correndo sem parar.Eles chegaram à escola, exaustos, suados e com sede. O calor estava terrível, o tempo estava seco e a água do bebedouro estava quente, pra variar. Até pensaram em passar na cantina para comprar água gelada, mas eles já estavam atrasados de mais para isso. Não podiam perder mais tempo. E correndo, já com os pedidos de desculpas na ponta da língua, esbarraram na professora que estava saindo para comprar água na cantina, logo antes de adentrarem o ginásio:- Ei, meninos, para onde vão com tanta pressa? – indagou ela, como quem diz "olha por onde andam, moleques".- Desculpe-nos, professora. É que estamos atrasados para o ensaio. – disseram, ofegantes.- Ensaio? Qual ensaio, o que foi remarcado para as duas da tarde?
L.A


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